terça-feira, 2 de março de 2010

Quem disse que Madonna não é filosofia?

Sou fã de Madonna desde os 12 anos. Já fui a (somente!) dois shows dela e não me canso de admirá-la! Entre um estudo de ciência política e outro, faço conexões entre as letras dela e algumas importantes idéias filosóficas/políticas. Por isso, decidi criar o projeto "Madonna sings". Eventualmente, portanto, comentarei trechos de suas músicas com base em pensamentos e idéias que povoam minha mente. Bringing awareness through the philosophy of Madonna! What a blast!


Madonna sings…

I´ll never be an Angel, I´ll never be a saint, it´s true… I´m too busy surviving, wether it´s heaven or hell, I´m gonna be living

Percebe-se, no excerto em destaque da música apropriadamente denominada “Survival”, que Madonna é detentora de um profundo conhecimento da obra de Maquiavel, O Príncipe. Madonna revela-se uma pragmática. Sabe que nunca será santa, mas explica: “estou apenas sobrevivendo, se é o inferno ou o céu, estarei vivendo assim mesmo”. Na luta pela sobrevivência, não há certos e errados, assim como na arena política. Os objetivos almejados justificam a utilização de meios considerados, pela perspectiva moral, condenáveis. A necessidade de sobreviver, portanto, assim como o alcance de objetivos entendidos como nobres, em política, permite que não se conduza a vida, necessariamente, por conceitos vinculados à esfera da moral e dos bons costumes. Não há a necessidade de ser santa; sobreviver justifica os meios.

Na vida, como afirma a cantora em outro trecho da canção, é cheia de altos e baixos e voltas e voltas. Buscamos, simplesmente, sobreviver aos tombos e sucessos. Quanto aos tombos, há outra cantora de igual talento, brasileira, que escreveu uma canção em que se ouve: “meu mundo caiu, eu que aprenda a levantar”. Um tanto dramática, em tom diferente de Madonna, contudo, Maysa demonstra força e determinação ao dizer para si mesma, após a contestação de que seu mundo caiu, que deve aprender a levantar. Nesse caso, verifica-se a ocorrência de sentimentos um tanto hostis em relação a si mesma. É quase como uma ordem: caiu? Levanta, oras (sua preguiçosa! - quase conseguimos ouvir essa “adjetivação” ao fundo).

Na comparação entre Maysa e Madonna, vê-se dois tipos de mulheres: uma que se auto-recrimina por estar “no chão” e outra que assume-se pecadora e, com orgulho, justifica sua escolha por estar, simplesmente, sobrevivendo (oras). Considero recomendável o estilo Madonna de enfrentar a vida, porém, tudo é uma questão de contexto. Madonna é uma filha do imaginário da Boston dos anos 60. Uma cidade que florescia economicamente, com fábricas a todo vapor. Simbolizava uma América pujante, potente, vencedora. Madonna, descendente de imigrantes italianos, teve um avô muito atuante politicamente, o que lhe permitiu construir um senso de justiça social bastante significativo. No mundo do self made man, Madonna ocupou seu espaço. Foi mostra cabal de que o liberalismo é um sistema que possibilita a ascensão social dos mais capazes e tenazes. Porquanto essa afirmação seja questionável, considerando a realidade que se analisa, Madonna é prova viva de que o sucesso pode ser alcançado com hard work.

Voltando ao tópico a que nos propusemos analisar. A vida é assim, eu e minha contingências. Elas me determinam na mesma proporção em que exerço meu voluntarismo. Nenhuma é absoluta. Assim vamos vivendo, sobrevivendo a despeito de nossas condições. Afinal de contas, qual é a graça de ser somente angel, after all?

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