terça-feira, 23 de março de 2010

DESEJO

Não tenho grandes pretensões na vida, mas desejos...
Meu maior desejo para o futuro é conseguir alcançar minha plenitude.
Desejo ter a certeza de que tive sucesso em desenvolver ao máximo meus potenciais, meu dom, meu chamado.
Desejo viver com a sensação de completude, de certeza, de tranqüilidade, no matter what I do
Desejo me sentir inteira, congruente. Desejo sentir que, a cada momento, estou sendo verdadeira comigo e expressando meus sentimentos com convergência. Desejo me sentir pura e essencial. Não almejo a nada grande aos olhos. Desejo a grandeza, a profundidade do que é invisível.
Desejo surfar nas ondas de minhas sensações. Desejo me sentir livre para vivenciar desafios e vencê-los. I want to be a winner in whatever I do. I want to feel the world as my home. I want to feel great wherever I go. I want to be connected, and I want to connect.
Desejo poder sempre me conectar com minha essência.
Desejo poder sempre me conectar à essência do outro.
Desejo olhar para o outro e enxergar potencilialidades e quem sabe, contribuir para desenvolvê-las... Desejo cultivar um olhar curioso, daquele que nada espera... afinal, a expectativa é a matéria-prima da frustração.
Desejo saber e sentir que estou em meu caminho; que estou crescendo e evoluindo. Não desejo temer a evolução nem toda a responsabilidade que ela traz consigo.
Desejo ter orgulho de mim e do que faço. Desejo que as pessoas que amo e que me amam estejam sempre perto de mim. Desejo ser cuidada e desafiada. Não desejo perder-me de mim mesma.
Desejo expansão, explosão e precaução. O equilíbrio como meta. Buscar para, assertivamente, achar...
Desejo destravar as barreiras de meus sentimentos... auto impostas?
Desejo vivenciar plenamente minhas dores e meus amores, sabendo-os todos meus.
Desejo sentir-me grande. Ter a felicidade de olhar o outro nos olhos.
Desejo me apropriar de minhas profundezas e transformá-las em força. Desejo olhar para mim com crueza e coragem.
Desejo saber-me e fazer-me valiosa! Fabulosa!
Desejo estar atenta a minha intuição e ouvi-la com respeito.
... ter a certeza de que a vida é o que faço dela e, por isso, ter muito cuidado...
Renascemos a cada nova escolha.
Desejo estar atenta às oportunidades a que a vida me expõe e ter sempre a coragem de ousar. Sim, muita coragem.

domingo, 21 de março de 2010

POTÊNCIA

Como sabemos quando estamos realizando nosso pleno potencial?

Quando sabemos que estamos utilizando nossa plena capacidade?

Existe realmente uma capacidade infinita, um potencial latente extraordinário em todos nós o qual, nas condições ideais, desenvolver-se-ia? Condições adversas também podem ser consideradas como ideais... Como saber? O dom é imanente ou desenvolvido?

Todas essas questões são certamente limitações impostas pelo pensamento. Quanto mais consciente, mais livre se deveria ser, though. Reason and will would walk together. Por que parecem sofrer mais aqueles que têm ciência de sua condição?

Sinto como se estivesse recebendo um banho de realidade. Como, se em todo o quebra-cabeça de minha vida houvesse uma lógica implícita que me leva a um determinado objetivo. Será que ela existe? Não seria uma mera construção da razão para domar o indomável?


Cultura cívica

Estou sentindo um profundo sentimento de descrença e cansaço. Acabo de ler alguns jornais antigos e a tônica parece ser a mesma... descrença com relação a práticas políticas antiquadas que, segundo o pensador FHC, não representam mais os anseios da sociedade. Os indivíduos preferem migrar para a iniciativa privada a adentrarem a vida pública. Melhores salários e oportunidades na vida privada ou descrença com relação às práticas da vida pública?

Tenho de pesquisar sobre democracia participativa. Começo pela pergunta: o que é participação em uma democracia? Quem deseja e quem está apto a participar? One man one vote? E as disparidades de ordem “real”, elas interferem nessa dinâmica? De onde surgiram os anseios de participação por parte da população? Em que momento surgiu esse awareness de que “sim, podemos e devemos participar das decisões da vida pública”. Sim, todos sabemos que as primeiras experiências de participação – de decisão direta – surgiram na Grécia Antiga. Porém, ao estudarmos a fundo o modelo, percebemos que a participação era de fato restrita àqueles indivíduos considerados aptos a decidir “com consciência”. Então, para participar, tem de haver consciência – tempo para refletir e tomar uma decisão consistente. O mundo moderno, porém, não permite esse tempo de “ócio criativo” em que cada indivíduo tem tempo para parar e refletir sobre quais são as melhores ações coletivas. Portanto, delega essas tarefas a representantes eleitos pelo sufrágio universal – forma de participação indireta. Neste sentido, delega-se um poder a outrem decidir. Confia-se em propostas e formas de pensar. Será que isso ainda acontece nos dias de hoje? O voto realmente reflete a crença de que se está sendo representado? O cidadão percebe seus interesses serem representados por seus representantes?

Os partidos políticos perderam a exclusividade de representação dos interesses coletivos e individuais. A profusão de órgãos não governamentais proporciona novas arenas de debate e reflexão em que a sociedade busca transformar desejos em ações concretas. A eficiência em realizar tais intentos existe?

Para Aristóteles, a identidade pública era mais importante do que a privada. Em seu tempo, havia duas esferas: pública e privada. A economia compõe a esfera privada, mas ela invadiu a esfera pública. Porém, no mundo atual é a economia que proporciona o “bem comum”. Se a economia vai mal, não há emprego, não salário, há pobreza. O bem comum se esvai.

Para haver bem comum, todos em uma sociedade têm de estar com igualdade de condições? A igualdade é uma premissa ou um objetivo do bem comum?

Perguntas... perguntas.

Freud ou Lexapro?

Percebo que o que me prejudica é minha falta de constância emocional. Posso estar muito bem num dia, acreditando ser capaz de conquistar o mundo, e absolutamente descrente no outro. Há algumas semanas, eu estava muito feliz e bastante confiante de minha performance intelectual. Li todo o material exigido pelo mestrado, fiz uma excelente apresentação, estava absorvendo matérias para o concurso num ritmo ótimo! Sentia que nada nem ninguém iria tirar minha vaga no concurso no ano que vem. Estava confiante e segura. Eis que, após o resultado da prova da Bolsa e uma TPM (?), algo se desfez dentro de mim. Comecei a me sentir angustiada, insegura e uma onda de tristeza tomou conta de mim. Passei a me sentir indefesa, o medo tomou minha mente. Passei a duvidar de mim.

Estou cansada desse ciclo. Muito. Percebo que esses sentimentos são bastante regressivos. É como um refúgio para o qual corro quando estou avançando muito rápido, afinal, tenho medo de vencer, de cruzar a linha de chegada como uma vencedora. Pareço sentir que não mereço. Parece prevalecer em mim aquela crença interior de que não devo dar certo, de que devo permanecer infantilizada. É o mesmo temor que senti quando estava nos EUA. Estava lá por mim mesma, por meu próprio mérito. Não consegui abraçar a oportunidade e me sentir merecedora. Sofri muito. Havia coisas ali que não eram minhas, de fato, mas, voltei.

Quero romper com esse ciclo. Já avancei em tantos aspectos da minha vida. Meu caminho de busca existencial está sendo trilhado e já obtive grandes vitórias nesse campo. Tendo a crer que cada um de nós tem uma “missão” a cumprir, o que quer que isso signifique. Não é, certamente, algo vinculado a aspectos religiosos, transcendentais. Essa “missão” é definida por nós mesmos, no curso de significação de nossa história. Cabe a cada de nós reescrever essa história, conforme os fatos se sucedem e novas formas de percepção tornam-se possíveis.

Preciso reescrever minha história, a forma de “auto-perceber-me”, com base não só no que já passou, mas no que quero ser. Preciso de constância emocional para alcançar esse objetivo. Preciso resgatar essa crença em mim e torná-la constante. Nada pode me abalar.

Preciso olhar para frente e desbravar os caminhos de minha incerteza. Quero vencer.

Resumindo a Ópera: preciso de um medicamento psiquiátrico.

A transvaloração de valores

25.07.08

Esta idéia corrente de que é melhor para nosso “aprendizado” sobre virtude e desapego receber o contrário do que pedimos é uma forma de enfraquecer a autodeterminação, o desejo, a vontade! É um mecanismo (provavelmente cristão) de subjugação! Funciona da seguinte forma: eu quero um namorado rico! Ah, diz o cristão, então você se apaixonará por um namorado pobre para que você aprenda uma lição: amar qualquer um, independente de ser rico ou pobre. A culpa por ter desejado um namorado rico, advinda da sensação de “prepotência”, mina o próprio deseja e nos faz pensar que não somos merecedores de um namorado rico! Dessa forma, acabamos nos comportando como se somente devêssemos nos interessar e amar uma pessoa pobre! Conseqüentemente, por uma mera questão de percepção, acabamos por confirmar nossa crença: ou nunca encontramos um namorado rico ou nos apaixonamos por uma pessoa pobre!
O objetivo central deste mecanismo é demonstrar que a vontade individual nada pode e nada deve desejar; ela é impotente! Somente a vontade de um Ser superior, que nos observa o tempo todo e fica nos enviando lições de vida a toda hora, prevalecerá! Não há nada que possamos fazer contra a vontade Dele. Portanto, devemos aguardar suas lições silenciosa e respeitosamente e aceitar as vicissitudes que a vida nos impõe. (É um mecanismo de dominação bastante eficiente. Imagine que todos nós nos sentíssemos merecedores da (o)s melhores mulheres, melhores homens, melhores postos... Seria uma carnificina! O Estado de natureza seria aqui! Esta igualdade perante os homens pôde ser resolvida, e contida, com a desigualdade estabelecida perante os Deuses! A idéia de um “Deus é civilizacional”, pois contribui para a contenção das pulsões humanas.)
O que não percebemos é que esse construto mental, enraizado na maioria das sociedades ocidentais contemporâneas, é, de fato, um mecanismo de auto-boicote, baseado no ressentimento. Ao nos percebermos pequenos diante de nossos desejos e aspirações, formulamos idéias de que, em realidade, estamos sendo “tutelados” por uma força superior que olha por nós constantemente ensinando-nos lições que visem à nossa evolução como indivíduos (o que já é por si questionável – ele não poderia ser simplesmente um sacana?). Assim, transformamos nossa frustração profunda, ao nos sentirmos incapazes e fracassados, em uma “via Crucis” de crescimento e aperfeiçoamento pessoal. É uma forma suave de nos perdoarmos.

terça-feira, 2 de março de 2010

O rapto de Perséfone por Hades.

Mesmo sabendo que seria raptada, Perséfone comeu as sementes de Romã.
Tornou-se, ao lado de Hades, a Rainha do mundo profundo. Apesar de ser uma mulher poderosa esposa de Hades, em seu mundo subterrâneo, ela retorna à superfície durante duas estações do ano, a Primavera e o Verão, para ficar com sua mãe, que fica muito deprimida quando a filha está distante, o que faz surgir as estações do Inverno e do Outono. Quando está com sua mãe, se transforma em Coré, a menina raptada.

O retorno de Perséfone. A alegria de Deméter de ter a filha de volta.

“... um momento de crescimento. Confrontados com as nossas mais fundas fragilidades, cabe-nos criar um novo olhar, inventar novas falas, ensaiar outras escritas. Vamos ficando, cada vez mais, a sós com nossa própria responsabilidade histórica de criar uma outra história. Nós não podemos mendigar ao mundo uma outra imagem. Não podemos insistir numa atitude apelativa. A nossa “única” saída é continuar o difícil e longo caminho de conquistar um lugar digno para nós e para a nossa pátria. E esse lugar só pode resultar de nossa própria criação.” Mia Couto

Filme Feliz Natal

Recentemente, assisti ao filme “Feliz Natal”. Fomos eu e mais dois amigos ao cinema e para ver um outro filme, foi somente chegando lá que um deles percebeu que já o tinha visto. Eles então decidiram ver “Feliz Natal”. Não tinha a menor idéia do conteúdo do filme. Vi o cartaz e me interessei, pois mostra uma cena de três generais da Primeira Guerra Mundial. Filmes que se passam em momentos históricos são muito bem vindos em meu repertório, hoje e sempre. Após um breve cafezinho, fomos à sala de cinema.

Os budistas orientam que a melhor forma de se viver seria aquela em que nada se espera, nada se deseja. As expectativas seriam o germe da frustração, o que desencadeia uma série de sentimentos indesejáveis, como o sofrimento e a raiva. Assim, sem expectativas fiquei muito impressionada com os rumos que o filme tomou.

O filme mostra uma noite de Natal, no inverno de 1914, durante a I Guerra Mundial em que três exércitos, francês, escocês e alemão, confraternizam entre si. O protagonista do filme é um cantor lírico alemão que abandona, juntamente com sua companheira, também cantora, uma festa de Natal promovida por generais alemães, em uma fazenda nos arredores da França, e segue para as trincheiras onde seus colegas soldados estão abrigados. Ele, como milhares de outros alemães, foi convocado para a guerra. Do outro lado do campo em que se encontravam entrincheirados, os escoceses faziam sua festa particular com “foles”, instrumento típico da Escócia. Ao ouvir a voz do artista alemão que cantava uma canção natalina para seus companheiros, os “inimigos” do outro lado da trincheira se puseram a acompanhar a melodia ao som do “fole”. A partir desse encontro sonoro, o cantor alemão ousa sair de sua trincheira com uma árvore de Natal e vai na direção à trincheira “inimiga”. Admirados pela ousadia do alemão, os escoceses fazem o mesmo, saindo de suas trincheiras e indo na direção da alemã. Os franceses, posicionados nos mesmos arredores, se espantam com a cena que observam, mas logo se unem aos demais.

É uma cena exuberante: os três batalhões frente a frente com seus contendores. Inimigos declarados se observam e se percebem. Reconhecem no outro a suas semelhanças: somos todos pessoas. Não há efeitos especiais capazes de suplantar essa cena em beleza e sensibilidade. Afinal, refere-se a uma beleza maior, a uma beleza que transcende nosso senso estético. É a beleza da humanidade. Fiquei extasiada! Absolutamente surpresa! Acostumada à série de filmes que relatam a I Guerra em seus horrores, com seres desumanizados, inseridos em uma situação que não compreendem bem (e que nem os historiadores que vieram depois conseguem recontar com clareza, vide o debate historiográfico relativo às origens e precursores da IGM), eis que me deparo com um acontecimento histórico esquecido. Intencionalmente? Provável que sim.

O filme versa sobre diversos assuntos, entre eles a irracionalidade da guerra. A destruição ocasionada por uma guerra, se vista sob o prisma da economia, ângulo preferido pelos grandes tomadores de decisão, não é racional. Kant afirmou que as sociedades prosperam em tempos de paz, afinal, é nesse ambiente que as transações comerciais se dão com mais fluidez, seguindo as regras previamente acordadas. A paz gera um ambiente de segurança em que a confiança mútua prevalece. Afinal, se alguém descumprir regras, há mecanismos racionais de resolver os conflitos, sem a necessidade de recorrer à violência para resolvê-los. A guerra representa a vitória da falta de diálogo, da falta de compreensão, da brutalidade versus civilidade. Parece haver uma regressão em termos civilizatórios. Se compararmos o desenvolvimento da humanidade com o de um ser humano, podemos perceber algumas analogias válidas.

Quando crianças, brigamos por brinquedos, por espaços, por atenção. Choramos, esperneamos, enfim, usamos os meios pelos quais acreditamos conseguir nosso objeto de desejo. Como nossa capacidade racional ainda não é plenamente desenvolvida, em termos relacionais, como é o caso do aprendizado da fala, não recorremos ao diálogo para negociarmos uma possível solução “pacífica”. Conforme crescemos e apreendemos as regras de convivência e sociabilidade, construímos mecanismos mais “avançados” de obtenção de nossos objetos de desejo.

Assim ocorre com a humanidade. A razão libertou o homem do jugo da irracionalidade. A “abertura de clausura” ocorrida na Grécia Clássica em que o homem se percebe capaz de refletir sobre seus atos representa um salto qualitativo imensurável. O homem passa a ser “autônomo”, criador de suas próprias regras. Não mais acata regras “heterônomas” ou advindas de outro lócus, divino, que não o seu. A noção de espaço público, de um local onde se discute os problemas relativos à vida em sociedade, sem recorrer à violência, representa um passo significativo no que se refere à capacidade do ser humano articular suas insatisfações de forma racional. A razão, como afirmou Hobbes, permite ao homem sair de seu estado de brutalidade e criar a comunidade.

Nesse filme, a crença no poder do diálogo e do encontro entre indivíduos reforçou a crença em mim de que a Diplomacia é uma das mais belas artes já criadas pelo homem. É a celebração da existência que precede a essência, conforme afirmou Sartre.

Saudade.

To com saudade de ti.

Muita.

Você é uma pessoa que dança com uma luz, que anda fazendo vento e fala criando espaços..

uma pessoa de formas e gestos e uma

cor que aguça o afeto..

Uma pessoa que em si só já contém um universo e para o meu mundo,

acrescenta outro mundo de beleza, de memórias boas, de risadas sonoras e olhares amados..

Years down the line certas coisas parecem erros, outras arrependimentos..

no entanto o resto todo que era tão lindo era tão mais importante que tudo..

eu amo pensar que te amo.. e amo.

Amo com o coração em silêncio, gritando dentro de mim, gelado por bobagens

do passado, quente pela história da gente.. Tenho saudade de sentir como te

amo, te fazer poemas e fazer planos.. tenho saudade de não ter fronteiras,

ser maior que tudo ser mais que eu por ser contigo.. isso não é só raro;

é singular.

Te escrevo assim porque estou morrendo de saudade de tudo em ti. E é de

como fica o mundo ao teu redor. E por tudo que é tão lindo e tão engraçado

contigo. E por tudo que muda de cor e pelas coisas que acontecem, pelas

coisas que fazes, pelos olhos que em ti vêem pelo mundo coisas boas, pelas

formas de pensar, pela garra de crescer, pela viagem de viver e de viver..

Te escrevo porque nesse momento parece a coisa mais errada do mundo minha

vida estar separada da tua, e porque não tenho teus ouvidos pra me ouvir nem

tua boca pra beijar o tanto quanto quero incessantemente.. Te escrevo porque

nao posso deixar esse sentimento diário me queimar..

Estou morrendo de saudade.

Por que isso tudo assim? Que vida é essa?

Nunca, nunca, nunca deixei de te amar..

Mesmo quando perdidos.


Autor desconhecido

Obs: A carta de amor e saudade mais linda que já li!

O homem do século XXI

O homem do século XXI é agradável, educado, bem informado e dono de uma masculinidade que se impõe não pela “rudeza do trato”, mas pela firmeza e sensibilidade do olhar. Ele é capaz de participar de uma conversa de bar entre mulheres e se sentir perfeitamente a vontade. Inclusive, contribui com opiniões, percepções, sensações, enfim, consegue perceber que se trata de uma conversa entre pessoas, cujos sentimentos e necessidades afetivas são parecidas, a despeito da diferença de gênero entre elas.

O homem do século XXI consegue transcender os papéis cristalizados em sociedade referentes ao masculino e ao feminino. Consegue perceber a essência de simplesmente ser humano. Por isso, não tem medo de dizer o que pensa ou o que sente. Mergulha em suas sensações e consegue descrevê-las. Escuta o que sua interlocutora tem a lhe dizer e procura enxergar além das palavras. Entende que as mulheres têm outra forma de comunicação, mais simbólica e menos objetiva. Não se incomoda com isso! Por mais que, por vezes, não consiga apreender o que ela quer dizer, esforça-se por estabelecer contato.

O homem do século XXI estabelece contato. Conecta-se com sua parceira. Relaciona-se com mulheres pelas quais nutre admiração. Busca sentir-se em patamar de igualdade, pois não há nada mais ultrapassado, em sua visão, do que assimetria na relação. Gosta de ver sua mulher brilhar e se destacar entre seus pares. Sente que a conquista dela é, também, em parte, sua, pois entende que a escolha de estarem juntos expressa o desejo de construir um projeto comum, em que ambos são igualmente necessários para o sucesso de um e do outro.

O homem do século XXI não deixa de tratar sua parceira com toda a deferência de um homem apaixonado. Trata-a com delicadeza e afeto, pois enxerga nela a personificação do amor. Entende que, por mais espaços que a mulher tenha conquistado e sucessos que ela tenha obtido, ela será plenamente feliz quando sentir-se amada pelo homem que ama.

E viva a mulher do século XXI!

Quando nascemos, afinal?

Há alguns anos, quando ainda era estudante de Psicologia, uma professora indagou à turma: quando, afinal, nossa psique é instaurada? Em outras palavras, quando nasce nossa psique? Diversas foram as respostas. Uns responderam “ora, quando saímos da barriga de nossas mães”, outros “quando ainda estamos sendo gestados” ou ainda “após dos primeiros anos de vida”. Ao que a professora respondeu com uma revelação um tanto inédita para aqueles curiosos estudantes da mente humana: nossa psique é inaugurada nas projeções de nossos pais, nos diferentes momentos em que eles sonharam como seriam seus filhos. Em outras palavras, nas projeções de desejos de realização deles mesmos.

A vida nos mostra que o curso de uma existência talvez não nos permita realizar tudo o que desejamos. Compreendemos que ela é o resultado de um encadeamento de decisões pontuais condicionadas pela percepção que temos de nosso momento presente. Assim, ao olharmos para trás, percebemos que muitas dessas decisões podem não ter sido as mais acertadas. Estávamos ansiosos por realizar projetos, ou cegos por uma visão limitada do que poderíamos ser. Medos, desejos, sonhos... Tudo contribui para a tomada de decisão. Mas, será possível ter certeza de que se está tomando a decisão certa? Como sabemos?

O caminho para a certeza reside no processo de individuação; saber quem se é. Parece, num primeiro olhar, uma pergunta retórica, sem possibilidade de resposta. Porém, a busca pela resposta é justamente o caminho. Nossas escolhas são pautadas pela percepção que temos de nós mesmos. Geralmente fazemos escolhas que condizem com nossas crenças, as quais buscamos sempre reafirmar. O trilhar de nossos caminhos nada mais é do que a confirmação diária do que acreditamos sermos capazes. Nossas realizações são a medida de nossas percepções acerca de nossas potencialidades. A questão que se impõe é, será que somos sempre cientes de nossos dons, de nossas capacidades?

Jung afirmava que todos possuímos um conhecimento universal que transcende a nós mesmos. É como se nascêssemos com um potencial para desenvolvermos determinadas habilidades, não necessariamente em detrimento de outras. Por isso a necessidade de “individuação”. Afinal, por mais que sejamos, também, o fruto das projeções de nossos pais, somos indivíduos dotados de originalidade. Ou somos a soma, o resultados de ambos os fatores?

Nossa trajetória pessoal é uma constante reconstrução do que foi feito de nós. Partimos de uma história que nos antecede e sobre a qual não temos controle. O presente, no entanto, nos permite refazer percepções e redirecionar determinações. O cruel contato consigo mesmo, com nossos medos e ansiedades, nos permite encararmos nossas dificuldades para, então, superá-las. Não podemos lutar contra um inimigo que não conhecemos. (Apropriamo-nos, assim, dos desejos que serão transformados em devires.)

Ao percebermos que nossa psique antecede em muito a nossa existência material, temos muito mais elementos para nos posicionarmos frente à vida. Podemos, desta forma, excluir de nossa percepção crenças disfuncionais que nos impedem de realizarmos nossos mais profundos potenciais. A psique pode ser instaurada muito antes de termos o poder consciente de a determinarmos, mas a o auto-conhecimento nos permite redirecionarmos nosso destino a cada dia. A conscientização de que temos um potencial inerente a ser desenvolvido e vivido nos conduz à ação revolucionária de fazermos de nosso presente o palco de nosso desenvolvimento pessoal. A grande vitória reside em sentirmos que estamos vivendo a vida plenamente e realizando, a cada dia, todo o nosso potencial de criação.

A cultura política e as leis

A cultura política e as leis
Povo sem cultura política não demanda ética ao governo. Exige, simplesmente, que mínimas condições de vida sejam asseguradas, como acesso a bens de consumo. Caso o povo esteja podendo realizar a essência do sistema capitalista, consumir, acredita estar vivendo no melhor dos mundos. Não se preocupa com ética ou moral por parte de seus representantes, bens muito caros no mercado. Assim, o povo reclama, grita, critica seus governantes, mas no fundo, inveja-os. Gostaria de estar no lugar de cada um daqueles que critica. A lógica do “esperto”, ou malandro, remonta à época da colônia em que espertos eram aqueles que conseguiam burlar a pesada legislação vigente.
Desrespeitar a lei, que não os respeitava como pessoas – cidadãos - era ato de grande inteligência. Assim, formou-se no Brasil a mentalidade de que leis são para serem desobedecidas. Muitas foram as leis que tiveram um caráter meramente decorativo, as chamadas “leis para inglês ver”, como é o caso da Lei Eusébio de Queiroz, de 1850, que pôs fim ao tráfico negreiro intercontinental. Nos primeiros anos após a divulgação da lei, registrou-se uma enorme entrada de escravos no país, o que revelou a sua não obediência. Somente com a forte pressão inglesa em prol de seu cumprimento (o que causou desagrado à população local que via as ações inglesas como ato de desrespeito à soberania brasileira, contribuindo para o fomento da unidade nacional – frente a um inimigo comum, une-se) o tráfico finalmente arrefeceu, o que deu início a um intenso tráfico interno.
O exemplo ilustra a forma como os brasileiros percebem as leis: só são obedecidas em face da coação externa. Não percebem a validade delas por si mesmas. Não as consideram como representativas da “vontade geral”, noção que perpassa a lógica das leis. Assim, elas devem ser obedecidas somente na medida em que não contrariam interesses ou quando convier. Compromete-se a credibilidade do pacto social, pois seus termos são desrespeitados a todo momento, em todas as instâncias da sociedade.

Madonna sings.. silence

“Today, is the last day that I am using words, they´ve gonna out, lost their meaning, don´t function anymore”.

As palavras e seus significados previamente determinados condicionam nossa maneira de pensar, de compreender a realidade. O pensamento é simbólico, é caótico, desordenado. Na ânsia de nos comunicarmos e nos fazermos compreender pelo outro, usamos o código da linguagem, o qual é compartilhado por todos os falantes de uma mesma língua. Mesmo que todos sejam exímios falantes dessa mesma língua, contudo, nem sempre atribuímos os mesmos significados às mesmas palavras. Palavras contêm vivências, que são pessoais, individualizadas. De modo geral, as palavras possuem significados universais. “Casa” é um lugar onde se habita. Esse é seu sentido formal, do dicionário. Quando pensamos na palavra “casa” vem logo à mente uma imagem que lhe atribui significado. As imagens que cada um acessará serão diferentes conforme as vivências com a palavra. Assim, o comunicar-se é um ato permeado por símbolos pessoais que encontram correspondência nas vivências de nosso interlocutor, por isso nunca conseguiremos expressar exatamente o que vemos e o que sentimos.

Dessa dificuldade decorre a importância de outras formas de comunicação. A música é a forma de comunicação de sentimentos mais bela e complexa. A linguagem da música é abstrata e lógica. Mas para “criar” música, não se pode pensar logicamente. Há de se traduzir sentimentos em notas musicais. A música é a arte mais democrática, pois todos têm acesso a ela, independentemente de ter tido um estudo formal prévio, tal qual exigido pela literatura. A música é a tradução de sentimentos e atitudes em sons, melodias. Permite a expressão de todo e qualquer indivíduo, de qualquer classe, etnia, gênero, transformar suas sensações em algo compreensível. Raciocinar na linguagem da música, contudo, não é tarefa fácil.

A comunicação, mesmo aquela que se utiliza das palavras, não permite a comunicação plena. Para haver profunda e plena comunicação há de se sentir o outro, acompanhar suas sensações conforme relata eventos, sentimentos e percepções. Para que esse grau de compreensão mútua seja alcançado, é preciso sair de si e entrar no outro; buscar sentir junto com o outro os caminhos percorridos por suas sensações de forma a vislumbrar a legenda de seus próprios códigos. É o dizer X querer dizer. Nem sempre conseguimos articular as palavras da forma como desejamos. Saber que existe esse gap de significado entre duas pessoas é essencial para o esforço de compreensão. Isto vale tanto para as relações pessoais quanto para as de nossos espaços profissionais, como no caso da Diplomacia.

Ao abandonar as palavras e decidir pelo silêncio, optamos por apenas sentir. Quando o sentimento está aquém da possibilidade de significá-lo, silenciar parece ser a melhor opção.

...

Quem disse que Madonna não é filosofia?

Sou fã de Madonna desde os 12 anos. Já fui a (somente!) dois shows dela e não me canso de admirá-la! Entre um estudo de ciência política e outro, faço conexões entre as letras dela e algumas importantes idéias filosóficas/políticas. Por isso, decidi criar o projeto "Madonna sings". Eventualmente, portanto, comentarei trechos de suas músicas com base em pensamentos e idéias que povoam minha mente. Bringing awareness through the philosophy of Madonna! What a blast!


Madonna sings…

I´ll never be an Angel, I´ll never be a saint, it´s true… I´m too busy surviving, wether it´s heaven or hell, I´m gonna be living

Percebe-se, no excerto em destaque da música apropriadamente denominada “Survival”, que Madonna é detentora de um profundo conhecimento da obra de Maquiavel, O Príncipe. Madonna revela-se uma pragmática. Sabe que nunca será santa, mas explica: “estou apenas sobrevivendo, se é o inferno ou o céu, estarei vivendo assim mesmo”. Na luta pela sobrevivência, não há certos e errados, assim como na arena política. Os objetivos almejados justificam a utilização de meios considerados, pela perspectiva moral, condenáveis. A necessidade de sobreviver, portanto, assim como o alcance de objetivos entendidos como nobres, em política, permite que não se conduza a vida, necessariamente, por conceitos vinculados à esfera da moral e dos bons costumes. Não há a necessidade de ser santa; sobreviver justifica os meios.

Na vida, como afirma a cantora em outro trecho da canção, é cheia de altos e baixos e voltas e voltas. Buscamos, simplesmente, sobreviver aos tombos e sucessos. Quanto aos tombos, há outra cantora de igual talento, brasileira, que escreveu uma canção em que se ouve: “meu mundo caiu, eu que aprenda a levantar”. Um tanto dramática, em tom diferente de Madonna, contudo, Maysa demonstra força e determinação ao dizer para si mesma, após a contestação de que seu mundo caiu, que deve aprender a levantar. Nesse caso, verifica-se a ocorrência de sentimentos um tanto hostis em relação a si mesma. É quase como uma ordem: caiu? Levanta, oras (sua preguiçosa! - quase conseguimos ouvir essa “adjetivação” ao fundo).

Na comparação entre Maysa e Madonna, vê-se dois tipos de mulheres: uma que se auto-recrimina por estar “no chão” e outra que assume-se pecadora e, com orgulho, justifica sua escolha por estar, simplesmente, sobrevivendo (oras). Considero recomendável o estilo Madonna de enfrentar a vida, porém, tudo é uma questão de contexto. Madonna é uma filha do imaginário da Boston dos anos 60. Uma cidade que florescia economicamente, com fábricas a todo vapor. Simbolizava uma América pujante, potente, vencedora. Madonna, descendente de imigrantes italianos, teve um avô muito atuante politicamente, o que lhe permitiu construir um senso de justiça social bastante significativo. No mundo do self made man, Madonna ocupou seu espaço. Foi mostra cabal de que o liberalismo é um sistema que possibilita a ascensão social dos mais capazes e tenazes. Porquanto essa afirmação seja questionável, considerando a realidade que se analisa, Madonna é prova viva de que o sucesso pode ser alcançado com hard work.

Voltando ao tópico a que nos propusemos analisar. A vida é assim, eu e minha contingências. Elas me determinam na mesma proporção em que exerço meu voluntarismo. Nenhuma é absoluta. Assim vamos vivendo, sobrevivendo a despeito de nossas condições. Afinal de contas, qual é a graça de ser somente angel, after all?