terça-feira, 28 de agosto de 2012

Filhos e trabalho


Li recentemente um comentário da esposa do ex Primeiro Ministro Tony Blair, Cherie Blair, que me fez pensar. Ela disse que esta preocupada com o crescente número de mulheres que buscam se casar com homens ricos e se aposentar novas, para ficarem em casa, cuidando dos filhos. Consigo concordar com ela. Acho que uma mãe que produz no mundo tende a ser muito mais feliz e realizada, o que se reflete em sua relação com seus filhos. Ela não os culpa por possíveis "tempos perdidos" nem se entedia em realizar somente as atividades domésticas. Além disso, dá um bom exemplo de independência e autonomia, algo que importa seja almejado por seus filhos.

Em resposta a este comentário, uma jornalista que se "aposentou" para cuidar do filho declarou algo bem interessante. Pontuou que não teria parado de trabalhar caso seu salário,mesmo exercendo atividade similar ao do marido, fosse tão inferior ao dele; não teria parado de trabalhar se o custo de oportunidade de trabalhar e ficar em casa não fosse tão alto. Trabalhando fora, teria de arcar com babás, creches etc e seu salário serviria somente para pagar estas despesas! Temos o velho problema do machismo que se ramifica em diversos setores da sociedade.
De fato, creio que ela tomou uma decisão inteligente. Algo para refletir. Afinal, sempre ouvimos - após a liberação das mulheres - que temos de ter uma boa educação para termos um bom emprego, que não podemos depender dos maridos. Tudo o mais constante, devemos obter a boa educação na faixa dos 20, encontrar um emprego relativamente estável perto dos 30, ou com 30 e poucos, e, somente então, ter o teu sonhado baby! Ainda bem que disse "tudo o mais constate" (coeteris paribus, na expressão econômica em latim). Porém, nada constante é a vida... Não somos seres plenamente racionais que conseguimos guiar nossas vidas com a força da vontade e da razão... Tantas coisas acontecem no caminho! E se não conseguimos seguir o plano a risca? Estamos condenados a pagar o preço deste suposto "fracasso"? Mas isto é um fracasso? 



A escrita fluida do poeta


Admiro o poeta pela escrita fluida, que preenche as linhas com graça e sentido.
Nunca me senti capaz de realizar esta arte. Porém, quando flui algo de mim, parece tão certo.
Temo o olhar alheio. O “outro significativo”, aquele que civiliza e questiona nossos modos de ser e sentir.
Quem sou eu através de seus olhos? Digo apenas banalidades? Julga-me pela falta?
Mas o que falta, afinal? O ponto de vista é um ponto, como qualquer outro. Parte de um início, tem um meio e um fim. Será essa história melhor que a minha? Superior em graça e beleza?
Bem, dessa forma, não alcanço o outro, sem ponto, sem fim, sem nada. Estou livre?
Talvez o espaço desta liberdade seja construído justamente pela conexão entre mim e este outro. Pela segurança e pela liberdade que esta união proporciona.
Eu sou quando sei que tenho valor, e este valor é também construído pelo outro, numa dialética muito louca , que flui como a escrita do poeta. 

Comentário sobre a peça Romeu e Julieta


Londres, 20 de maio de 2012
Assisti hoje à peça Romeu e Julieta, encenada por um grupo teatral brasileiro, no Globe Theatre.  A peça é uma adaptação criativa da obra de Shakespeare; mistura circo com bufão, clássico com baião. Sob certo olhar, a peça conjuga elementos “tipicamente” brasileiros. Brasil, neste sentido, país colonial, que nasceu sob a influência de diferentes culturas e diferentes tempos. País marcado pela escassez, tanto de recursos quanto de informação e educação, mas que tem um povo criativo, pronto a traduzir o que vê para sua própria linguagem, repleta de símbolos que expressam suas realidades.
Quando entramos no teatro, deparamos com um carro velho, elemento que proporciona um ambiente “fora” do palco, quando os artistas estão dentro dele, e que apoia um “palco elevado” acima dele, onde diversas cenas ocorrem. Os atores mudam de roupas atrás do carro, o que permite que a plateia os veja neste ato. Alguns dos atores se apresentam em pernas de pau, com guarda-chuvas de frevo e, por vezes, representam estarem andando sobre uma corda bamba, típica cena circense. Enfim, uma mélange de referências culturais brasileiras compõem a adaptação da obra shakespeariana.
Enquanto assistia à peça, uma série de sentimentos me invadiu: vergonha, repulsa, rejeição. Não queria que “aquilo” fosse o Brasil. Fiquei envergonha de ver aquele mistura de roupas, de estilos, de música... como se tivessem desrespeitado a magnífica obra de Shakespeare. Houve cenas de “brincadeiras” sexuais típicas das comédias brasileiras, que sempre arrancam gargalhadas do público. O mesmo não deixou de ocorrer nesta apresentação, não sabia se por vergonha ou orgulho da coragem de desobedecer a aparente regra moral.
Enfim, fiquei a me questionar por que senti tanta repulsa. Percebi que possuo uma forma bastante “elitista” de sentir. Não é algo racional em mim rejeitar essa expressão. Pelo contrário! Fui de coração aberto, desejando prestigiar uma adaptação brasileira à obra do grande autor inglês. Porém, ao perceber minha rejeição, pus-me a questionar o que eu de fato considero “brasileiro”, o que admiro como expressão artística e se mereço repreensão ou educação relativa aos meus sentidos.
Quanto a primeira questão, muitos autores mais iluminados e letrados do que eu já se debruçaram sobre o assunto. O Brasil é um caldo de culturas que se misturam e dão origem a um algo “novo”, “original”. A relação entre diferentes culturas se dá de forma pacífica e acolhedora. O Brasil é antropofágico, recebe influências estrangeiras e as transforma conforme as formas de sentir brasileiras. A grande marca do país é justamente a convivência harmoniosa de contrários, que se combinam e criam uma cultura própria. Será?
O que admiro como expressão artística somente posso referir com base naquilo que respeito e no que rejeito. Acredito que a arte nos toca por diferentes motivos, razões que nos são inconscientes, pois construídas ao longo de nossas vivências. Uma pintura, uma escultura ou uma música nos toca por mobilizar algo dentro de nós, que nem sempre conseguimos conferir significado racional, mas que nos tira do mundo em um instante, ou nos faz querer fugir em outro. Eu admiro o belo, o esteticamente admirável. Gosto da forma como é representado, seja pela luz e sombra de Rembrandt, sejam pelas cores delicadas e vibrantes dos impressionistas. Gosto do que me causa paz, que me faz refletir, que me acrescente uma nova forma de enxergar o mundo, mas que me fortaleça a abasteça; que me impulsione a continuar a acreditar. Não gosto do que me deprime ou degrada como ser humano, apesar de considerar importante pensar sobre nossas limitações como seres racionais. Gosto da harmonia.
Gostar de harmonia me torna elitista, retrógrada ou, simplesmente, obsessiva?  Deveria eu ter maior consideração com aquilo que não consegue alcançar a beleza harmônica, ou pelo menos o que assim considero?
Temo a hierarquização da arte. Afinal, que vai criá-la? Quais serão os parâmetros aceitáveis para se considerar uma manifestação artística válida e valiosa? Não seria um passo rumo ao autoritarismo, ter o direito de dizer o bom e o ruim, o alto ou a “baixa” cultura? Quem pode dizer?
Penso que tenho o pleno direito de gostar e de não gostar de algo. Sou livre para tanto. O perigo reside em crer que se eu não gosto, por ser que sou, por ter tido certa educação ou certa criação, sou mais apto a dizer o que é bom; o que é superior ou inferior. Quero sempre cultivar uma atitude de respeito para com as mais diversas manifestações artísticas, sentindo-me livre para gostar ou não gostar, sem me sentir estranha por isto.
Apesar disto, continuo preocupada por ter tido os sentimentos que tive. O que eles dizem de mim?

Minha relação com Londres




Minha relação com Londres teve início em meu imaginário. Sempre fui aficionada por história. Adorava ler livros que contavam as histórias de reis, rainhas e príncipes do passado. Neste quesito, a Inglaterra sempre se destacou em minhas preferências. Uma das coleções de que mais gostei em minha adolescência foi “As Brumas de Avalon”. Fiquei encantada com as histórias de magia envolvendo os desafios de príncipes e princesas para chegarem ao trono, com os relatos das práticas pagãs e de que forma influenciaram valores e crenças que possuímos até hoje. O cenário de fundo desta famosa história é a Inglaterra, descrita como um lugar de valores morais e regras de conduta bastante avançados. Foi esta a imagem que a Inglaterra, mas, mais especificamente Londres, projetou em mim desde muito cedo.
Não conheci Londres até o ano de 2006, ano em que visitei a cidade com minha família por dez dias. Minhas expectativas ao chegar à cidade – não posso negar – baseavam-se naquelas imagens idílicas que havia desenvolvido nos anos tenros de minha adolescência. Apesar de já ter assistido a centenas de filmes cujos cenários são a Londres moderna, por algum motivo, mantive vivas dentro de mim aquelas sensações de deslumbramento e encanto que tive ao ler a obra de Marion Zimmer Bradley. Pode-se imaginar minha euforia e ansiedade para logo aportar à cidade!
Chegando ao Aeroporto de Heathrow, tive a alegre surpresa de ser recebida por minha irmã do meio, que residia em Londres havia 6 meses. Como ela já conhecia bem a cidade, atuou como nossa guia. O primeiro impacto ao chegar à cidade divergiu diametralmente daquela imagem que tinha de uma Londres idílica: a cidade é uma urbe moderna, com prédios altos e modernos, estrada e ruas de alta velocidade, um sistema de transporte urbano que funciona magnificamente. Há uma enorme variedade de cafés e restaurantes com cuisines do mundo todo. Temos um pequeno estrato das mais diferentes culturas do mundo em uma só cidade, Londres. Ela honra o título que outrora carregou, a de “Império onde o sol nunca se põe”, em função da vastidão de seu império colonial. Pequenas representações desses distantes locais que compuseram seus domínios estão presentes na capital deste antigo império. Essas representações podem ser vistas não somente em restaurantes e prédios suntuosos, mas, especialmente, na diversidade cultural humana.
Em Londres, foi a primeira vez em que vi mulheres andando de burkas. Fiquei fascinada ao ver tipos culturais tão exóticos para mim, andando pela rua, ao meu lado. Vi homens indianos, paquistaneses, vestidos com suas roupas típicas, algo que só em filmes havia tido contato. Enfim, meu universo cultural, caracterizado por minha longa vivência em meu país de nascimento, Brasil, e um período de intercâmbio nos EUA, quando era adolescente, sofreu profunda revolução.
Embora a imagem idealizada e fantástica que tinha de Londres, baseada em minhas leituras e em minha imaginação, não tenha sido corroborada pela realidade da cidade moderna, fiquei igualmente encantada com o que vi e vivi em Londres. A cidade é um mosaico cultural incomparável. Um centro de convergência de diferenças, em que a vivência conjunta, em um mesmo espaço social, nos torna mais criativos, o que continua a estimular a minha imaginação.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

afirmação!

Talvez o segredo do sucesso seja afirmar o que desejamos sem pudor. O advento do moralismo, aliado a formulações religiosas, impediu que o individualismo, entendido como desejo egoísta, despreocupado com o outro, se manifestasse de forma destrutiva, o que é algo salutar. Porém, o excesso de preocupação culposa em desejar o melhor para si, temendo sermos taxados de egoístas, afinal é um valor ser altruísta, nos afasta de nossa essência o que impede o desenvolvimento de nossas plenas capacidades. É a dialética da moral: ao mesmo tempo em que funciona como um mecanismo de proteção social, ao impedir que todos os seres humanos busquem desenvolver suas capacidades de forma despreocupada, beirando o desrespeito pelo outro, contribui para que nos afastemos cada vez de nós mesmos. Para que possamos nos reconectar, precisamos abandonar esses sentimentos, de forma saudável. Não implica desrespeitar o outro, prejudicá-lo, mas enxergarmo-nos como o centro de nossa experiência. Lançarmos a flecha na direção que sentimos ser a melhor...

O auto-conhecimento e a consciência sobre si devem servir para clear up o que não desejamos por meros medo ou preguiça. Temos de afirmar ao mundo o que desejamos.

Preciso afirmar ao mundo o que desejo.

terça-feira, 23 de março de 2010

DESEJO

Não tenho grandes pretensões na vida, mas desejos...
Meu maior desejo para o futuro é conseguir alcançar minha plenitude.
Desejo ter a certeza de que tive sucesso em desenvolver ao máximo meus potenciais, meu dom, meu chamado.
Desejo viver com a sensação de completude, de certeza, de tranqüilidade, no matter what I do
Desejo me sentir inteira, congruente. Desejo sentir que, a cada momento, estou sendo verdadeira comigo e expressando meus sentimentos com convergência. Desejo me sentir pura e essencial. Não almejo a nada grande aos olhos. Desejo a grandeza, a profundidade do que é invisível.
Desejo surfar nas ondas de minhas sensações. Desejo me sentir livre para vivenciar desafios e vencê-los. I want to be a winner in whatever I do. I want to feel the world as my home. I want to feel great wherever I go. I want to be connected, and I want to connect.
Desejo poder sempre me conectar com minha essência.
Desejo poder sempre me conectar à essência do outro.
Desejo olhar para o outro e enxergar potencilialidades e quem sabe, contribuir para desenvolvê-las... Desejo cultivar um olhar curioso, daquele que nada espera... afinal, a expectativa é a matéria-prima da frustração.
Desejo saber e sentir que estou em meu caminho; que estou crescendo e evoluindo. Não desejo temer a evolução nem toda a responsabilidade que ela traz consigo.
Desejo ter orgulho de mim e do que faço. Desejo que as pessoas que amo e que me amam estejam sempre perto de mim. Desejo ser cuidada e desafiada. Não desejo perder-me de mim mesma.
Desejo expansão, explosão e precaução. O equilíbrio como meta. Buscar para, assertivamente, achar...
Desejo destravar as barreiras de meus sentimentos... auto impostas?
Desejo vivenciar plenamente minhas dores e meus amores, sabendo-os todos meus.
Desejo sentir-me grande. Ter a felicidade de olhar o outro nos olhos.
Desejo me apropriar de minhas profundezas e transformá-las em força. Desejo olhar para mim com crueza e coragem.
Desejo saber-me e fazer-me valiosa! Fabulosa!
Desejo estar atenta a minha intuição e ouvi-la com respeito.
... ter a certeza de que a vida é o que faço dela e, por isso, ter muito cuidado...
Renascemos a cada nova escolha.
Desejo estar atenta às oportunidades a que a vida me expõe e ter sempre a coragem de ousar. Sim, muita coragem.

domingo, 21 de março de 2010

POTÊNCIA

Como sabemos quando estamos realizando nosso pleno potencial?

Quando sabemos que estamos utilizando nossa plena capacidade?

Existe realmente uma capacidade infinita, um potencial latente extraordinário em todos nós o qual, nas condições ideais, desenvolver-se-ia? Condições adversas também podem ser consideradas como ideais... Como saber? O dom é imanente ou desenvolvido?

Todas essas questões são certamente limitações impostas pelo pensamento. Quanto mais consciente, mais livre se deveria ser, though. Reason and will would walk together. Por que parecem sofrer mais aqueles que têm ciência de sua condição?

Sinto como se estivesse recebendo um banho de realidade. Como, se em todo o quebra-cabeça de minha vida houvesse uma lógica implícita que me leva a um determinado objetivo. Será que ela existe? Não seria uma mera construção da razão para domar o indomável?