domingo, 21 de março de 2010

Cultura cívica

Estou sentindo um profundo sentimento de descrença e cansaço. Acabo de ler alguns jornais antigos e a tônica parece ser a mesma... descrença com relação a práticas políticas antiquadas que, segundo o pensador FHC, não representam mais os anseios da sociedade. Os indivíduos preferem migrar para a iniciativa privada a adentrarem a vida pública. Melhores salários e oportunidades na vida privada ou descrença com relação às práticas da vida pública?

Tenho de pesquisar sobre democracia participativa. Começo pela pergunta: o que é participação em uma democracia? Quem deseja e quem está apto a participar? One man one vote? E as disparidades de ordem “real”, elas interferem nessa dinâmica? De onde surgiram os anseios de participação por parte da população? Em que momento surgiu esse awareness de que “sim, podemos e devemos participar das decisões da vida pública”. Sim, todos sabemos que as primeiras experiências de participação – de decisão direta – surgiram na Grécia Antiga. Porém, ao estudarmos a fundo o modelo, percebemos que a participação era de fato restrita àqueles indivíduos considerados aptos a decidir “com consciência”. Então, para participar, tem de haver consciência – tempo para refletir e tomar uma decisão consistente. O mundo moderno, porém, não permite esse tempo de “ócio criativo” em que cada indivíduo tem tempo para parar e refletir sobre quais são as melhores ações coletivas. Portanto, delega essas tarefas a representantes eleitos pelo sufrágio universal – forma de participação indireta. Neste sentido, delega-se um poder a outrem decidir. Confia-se em propostas e formas de pensar. Será que isso ainda acontece nos dias de hoje? O voto realmente reflete a crença de que se está sendo representado? O cidadão percebe seus interesses serem representados por seus representantes?

Os partidos políticos perderam a exclusividade de representação dos interesses coletivos e individuais. A profusão de órgãos não governamentais proporciona novas arenas de debate e reflexão em que a sociedade busca transformar desejos em ações concretas. A eficiência em realizar tais intentos existe?

Para Aristóteles, a identidade pública era mais importante do que a privada. Em seu tempo, havia duas esferas: pública e privada. A economia compõe a esfera privada, mas ela invadiu a esfera pública. Porém, no mundo atual é a economia que proporciona o “bem comum”. Se a economia vai mal, não há emprego, não salário, há pobreza. O bem comum se esvai.

Para haver bem comum, todos em uma sociedade têm de estar com igualdade de condições? A igualdade é uma premissa ou um objetivo do bem comum?

Perguntas... perguntas.

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