“Today, is the last day that I am using words, they´ve gonna out, lost their meaning, don´t function anymore”.
As palavras e seus significados previamente determinados condicionam nossa maneira de pensar, de compreender a realidade. O pensamento é simbólico, é caótico, desordenado. Na ânsia de nos comunicarmos e nos fazermos compreender pelo outro, usamos o código da linguagem, o qual é compartilhado por todos os falantes de uma mesma língua. Mesmo que todos sejam exímios falantes dessa mesma língua, contudo, nem sempre atribuímos os mesmos significados às mesmas palavras. Palavras contêm vivências, que são pessoais, individualizadas. De modo geral, as palavras possuem significados universais. “Casa” é um lugar onde se habita. Esse é seu sentido formal, do dicionário. Quando pensamos na palavra “casa” vem logo à mente uma imagem que lhe atribui significado. As imagens que cada um acessará serão diferentes conforme as vivências com a palavra. Assim, o comunicar-se é um ato permeado por símbolos pessoais que encontram correspondência nas vivências de nosso interlocutor, por isso nunca conseguiremos expressar exatamente o que vemos e o que sentimos.
Dessa dificuldade decorre a importância de outras formas de comunicação. A música é a forma de comunicação de sentimentos mais bela e complexa. A linguagem da música é abstrata e lógica. Mas para “criar” música, não se pode pensar logicamente. Há de se traduzir sentimentos em notas musicais. A música é a arte mais democrática, pois todos têm acesso a ela, independentemente de ter tido um estudo formal prévio, tal qual exigido pela literatura. A música é a tradução de sentimentos e atitudes em sons, melodias. Permite a expressão de todo e qualquer indivíduo, de qualquer classe, etnia, gênero, transformar suas sensações em algo compreensível. Raciocinar na linguagem da música, contudo, não é tarefa fácil.
A comunicação, mesmo aquela que se utiliza das palavras, não permite a comunicação plena. Para haver profunda e plena comunicação há de se sentir o outro, acompanhar suas sensações conforme relata eventos, sentimentos e percepções. Para que esse grau de compreensão mútua seja alcançado, é preciso sair de si e entrar no outro; buscar sentir junto com o outro os caminhos percorridos por suas sensações de forma a vislumbrar a legenda de seus próprios códigos. É o dizer X querer dizer. Nem sempre conseguimos articular as palavras da forma como desejamos. Saber que existe esse gap de significado entre duas pessoas é essencial para o esforço de compreensão. Isto vale tanto para as relações pessoais quanto para as de nossos espaços profissionais, como no caso da Diplomacia.
Ao abandonar as palavras e decidir pelo silêncio, optamos por apenas sentir. Quando o sentimento está aquém da possibilidade de significá-lo, silenciar parece ser a melhor opção.
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