Minha relação com
Londres teve início em meu imaginário. Sempre fui aficionada por história.
Adorava ler livros que contavam as histórias de reis, rainhas e príncipes do
passado. Neste quesito, a Inglaterra sempre se destacou em minhas preferências.
Uma das coleções de que mais gostei em minha adolescência foi “As Brumas de
Avalon”. Fiquei encantada com as histórias de magia envolvendo os desafios de
príncipes e princesas para chegarem ao trono, com os relatos das práticas pagãs
e de que forma influenciaram valores e crenças que possuímos até hoje. O
cenário de fundo desta famosa história é a Inglaterra, descrita como um lugar
de valores morais e regras de conduta bastante avançados. Foi esta a imagem que
a Inglaterra, mas, mais especificamente Londres, projetou em mim desde muito
cedo.
Não conheci Londres
até o ano de 2006, ano em que visitei a cidade com minha família por dez dias.
Minhas expectativas ao chegar à cidade – não posso negar – baseavam-se naquelas
imagens idílicas que havia desenvolvido nos anos tenros de minha adolescência.
Apesar de já ter assistido a centenas de filmes cujos cenários são a Londres
moderna, por algum motivo, mantive vivas dentro de mim aquelas sensações de deslumbramento
e encanto que tive ao ler a obra de Marion Zimmer Bradley. Pode-se imaginar
minha euforia e ansiedade para logo aportar à cidade!
Chegando ao Aeroporto
de Heathrow, tive a alegre surpresa de ser recebida por minha irmã do meio, que
residia em Londres havia 6 meses. Como ela já conhecia bem a cidade, atuou como
nossa guia. O primeiro impacto ao chegar à cidade divergiu diametralmente
daquela imagem que tinha de uma Londres idílica: a cidade é uma urbe moderna, com prédios altos e
modernos, estrada e ruas de alta velocidade, um sistema de transporte urbano
que funciona magnificamente. Há uma enorme variedade de cafés e restaurantes
com cuisines do mundo todo. Temos um
pequeno estrato das mais diferentes culturas do mundo em uma só cidade,
Londres. Ela honra o título que outrora carregou, a de “Império onde o sol
nunca se põe”, em função da vastidão de seu império colonial. Pequenas
representações desses distantes locais que compuseram seus domínios estão
presentes na capital deste antigo império. Essas representações podem ser
vistas não somente em restaurantes e prédios suntuosos, mas, especialmente, na
diversidade cultural humana.
Em Londres, foi a
primeira vez em que vi mulheres andando de burkas.
Fiquei fascinada ao ver tipos culturais tão exóticos para mim, andando pela
rua, ao meu lado. Vi homens indianos, paquistaneses, vestidos com suas roupas
típicas, algo que só em filmes havia tido contato. Enfim, meu universo
cultural, caracterizado por minha longa vivência em meu país de nascimento,
Brasil, e um período de intercâmbio nos EUA, quando era adolescente, sofreu
profunda revolução.
Embora a imagem
idealizada e fantástica que tinha de Londres, baseada em minhas leituras e em
minha imaginação, não tenha sido corroborada pela realidade da cidade moderna,
fiquei igualmente encantada com o que vi e vivi em Londres. A cidade é um
mosaico cultural incomparável. Um centro de convergência de diferenças, em que
a vivência conjunta, em um mesmo espaço social, nos torna mais criativos, o que
continua a estimular a minha imaginação.
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