Admiro o poeta pela escrita
fluida, que preenche as linhas com graça e sentido.
Nunca me senti capaz de realizar
esta arte. Porém, quando flui algo de mim, parece tão certo.
Temo o olhar alheio. O “outro
significativo”, aquele que civiliza e questiona nossos modos de ser e sentir.
Quem sou eu através de seus
olhos? Digo apenas banalidades? Julga-me pela falta?
Mas o que falta, afinal? O ponto
de vista é um ponto, como qualquer outro. Parte de um início, tem um meio e um
fim. Será essa história melhor que a minha? Superior em graça e beleza?
Bem, dessa forma, não alcanço o
outro, sem ponto, sem fim, sem nada. Estou livre?
Talvez o espaço desta liberdade
seja construído justamente pela conexão entre mim e este outro. Pela segurança
e pela liberdade que esta união proporciona.
Eu sou quando sei que tenho
valor, e este valor é também construído pelo outro, numa dialética muito louca
, que flui como a escrita do poeta.
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